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| Será que estamos preparados para a TV social mudar a forma como assistimos televisão? |
Por: Maurilio Alberone
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Artigo originalmente publicado no portal iMasters em 13 de maio de 2010. Acesse-o aqui. Nota: O termo TV Social utilizado neste artigo refere-se exclusivamente à integração da televisão com redes sociais, sendo diferente do outro uso para o mesmo termo, que referencia serviços de inclusão social pelo ambiente da TV. Há alguns anos esperamos pela tão falada interatividade na TV digital aberta, algo sempre apresentado como muito superior ao disponível até então nas TV's por assinatura. Muito já foi especulado, analisado e criticado sobre a disponibilização destes novos recursos na TV. Mas agora chegou a hora de realmente experimentarmos, testarmos e propormos os novos modelos que irão construir (ou desconstruir) a nossa querida TV dos próximos anos. Os conversores com o middleware Ginga, que suporta a interatividade, começam a ser comercializados e as primeiras aplicações interativas começam a ser testadas pelas emissoras. Ainda sem muita emoção, é verdade. Mas sabemos que é só o começo. Novas empresas se estabelecem no cenário nacional com foco no desenvolvimento destas tecnologias e a atenção dos até agora indiferentes começa a ser despertada. Além disso, não satisfeitos com o modelo de negócios da TV digital aberta, que ainda privilegia as emissoras, fabricantes de televisores já lançam modelos das chamadas Broadband TV's. Estas TV's, ao serem conectadas à internet, acessam conteúdos disponibilizados por grandes portais, como vídeos, redes sociais e previsão do tempo. Algo bem amarrado pela parceria entre fabricante e portal. Mas nada diferente das TV's com Ginga, que, pelo menos neste início, terão suas aplicações interativas controladas em sua grande maioria pelas emissoras. Embora a interatividade na TV aberta tenha demorado muito mais do que (quase) todos gostaríamos, percebemos que ela está surgindo em um momento onde a convergência da web com a TV está ganhando força em diversas partes do mundo. E é aí que as coisas parecem começar a ficar interessantes. A TV interativa ganha destaque quando integrada com serviços web populares. Sabemos que existe uma infinidade de aplicativos que podem funcionar sem qualquer integração com a web ou outros sistemas, mas pelo menos pra mim parece óbvio que isso não vai ser impulsionador de uma tecnologia. Estes são serviços básicos e facilmente "comoditizáveis", assim como a alta definição e mobilidade, outros recursos da TV digital. Mas temos que começar pelo simples, sem dúvida. Porém, recentemente o MIT (Massachusetts Institute of Technology) anunciou a TV Social como uma das 10 tecnologias emergentes mais importantes de 2010. TV Social nada mais é do que propostas para conectar a TV à redes sociais. O que se busca são interações de forma a melhorar a experiência de se assiste televisão em uma época onde os serviços web ganham cada vez mais força e a TV perde sua audiência cativa. O conceito é bem mais amplo que isso, mas vamos nos ater em aplicações de redes sociais compartilhando o mesmo espaço que a novela ou futebol em sua TV. O que esperarmos quando isso se popularizar por aqui? Além de interagirmos sobre o que assistimos na TV pelo twitter, como bem analisou o Alex Primo, faremos isso na própria TV. Mas como será o nosso uso de aplicações como twitter, orkut ou facebook na TV? Além de outros serviços populares de redes sociais, notícias, games e blogs? A TV Social nos deixa mais conectados, isso parece não ter discussão. Ela facilita nossa intervenção e criação de conteúdo próprio em um veículo tradicionalmente massivo e unidirecional. Mas será que ela irá conseguir reter a audiência da TV? Ou pelo menos aumentar o envolvimento da já existente? Não existe conclusão pra isso. Mesmo nos países onde a TV interativa já é realidade há anos, a TV Social ainda não é algo totalmente popular. Mas é impossível prever o engajamento do brasileiro em uma plataforma como essa. Se considerarmos que possuímos uma presença respeitável em redes sociais e somos apaixonado por televisão, isso aqui tende a ser um sucesso. Porém, dentro do modelo de negócios atual da TV digital interativa brasileira, as aplicações serão distribuídas em sua maioria pelas emissoras de TV. No máximo os fabricantes disponibilizarão alguns aplicativos embarcados em seus set-top boxes. Infelizmente as grandes emissoras de TV ainda possuem suas receitas baseadas na audiência das massas. E mais uma atração (ou distração) para o telespectador sobre o seu conteúdo pode afetar o modelo de pseudo-hipnose que garante seus anunciantes. Eles ainda são muito ortodoxos e não trocam audiência por mobilização facilmente, apesar de reconhecerem a tendência. Imagine ainda se você puder compartilhar uma crítica a um determinado programa ao vivo no próprio ambiente da TV. Isso ainda parece inconcebível em um modelo tradicional de informação unidirecional. Uma coisa é você criticar algo pelo twitter, outra é xingar o narrador de futebol e isso ser compartilhado com milhares de pessoas na mesma tela onde assistem o jogo. Com isso, as emissoras vão tender a moderar as informações compartilhadas nestas aplicações. E assim o enfraquecimento deste modelo parece óbvio. Assim eu deixo as perguntas: Estão as emissoras interessadas em transformarem a TV em um dispositivo de conversação multidirecional? Estamos nós, telespectadores, dispostos a conversarmos, interagirmos e compartilharmos informações pelo ambiente da televisão? |